Caatinga Climate Week põe NE no centro do debate climático

De 1º a 3 de julho, a 2ª edição do evento em PE valoriza saberes locais e mostra o papel do bioma contra a crise climática

A foto mostra uma horta no semiárido, com pés de alface crescendo em fileiras sobre a terra coberta por palha seca e folhas de bananeira usadas como cobertura morta para manter a umidade do solo. No canto direito, aparece parcialmente uma pessoa agachada, vestindo camiseta roxa, calça escura e tênis branco, que colhe ou examina uma das alfaces já desenvolvidas. Ao fundo, é possível ver mais plantações e árvores típicas da Caatinga, sob um céu parcialmente nublado
A Caatinga Climate Week inclui a visita a experiências de convivência com o clima Semiárido | Foto: Andréia Vitório

A Caatinga como um território de inovação, resistência e futuro. É para dar visibilidade a essa realidade que começa nesta quarta-feira, 1º, em Pernambuco, a 2ª edição da Caatinga Climate Week (CCW). O evento foi criado para colocar o bioma e seus povos no centro do debate climático global e ampliar a discussão de estratégias de adaptação e políticas públicas para o Semiárido.

Para isso, uma expedição reunirá pesquisadores, gestores públicos, representantes de movimentos e organizações sociais e da sociedade civil, além de jornalistas e comunicadores populares, para percorrer diferentes localidades do agreste pernambucano. A proposta é conhecer de perto soluções construídas a partir de saberes locais e potencialidades da região. 

O evento é realizado pelo Centro Sabiá e pelo Instituto Socioambiental (ISA) e tem como tema “A Caatinga falando para o mundo”, indo do Cais ao sertão pernambucano, com novidades que marcam esta edição.

Soluções concretas 

A iniciativa foi inspirada nas semanas do clima realizadas ao redor do mundo, mas encontra força na potência das respostas construídas pelas comunidades da região. Afinal, não é de hoje que a emergência climática já é sentida na pele por quem vive no Semiárido nordestino e em outros territórios mais vulnerabilizados do planeta. 

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Na Caatinga, tamanho desafio vem se convertendo em experiências concretas de transformação, pautadas por tecnologias sociais e modos de vida capazes de promover convivência com o Semiárido, adaptação climática e formas únicas de se relacionar e preservar o bioma, o único exclusivamente brasileiro. 

Território de respostas

Em meio a esse contexto, a CCW promove um intercâmbio de saberes para reconhecer, valorizar e apoiar a disseminação de saberes e fazeres que podem inspirar novas experimentações.

A foto, capturada de cima, exibe uma disposição de itens sobre uma superfície de terra ou areia de cor bege-acizentada, lembrando um altar ou uma exposição. Os objetos são predominantemente produtos naturais, sementes, raízes e artefatos culturais. No centro, destaca-se uma bandeja de madeira redonda, dividida em compartimentos triangulares, contendo diversas sementes e grãos de cores e tamanhos variados, com uma garrafa escura no meio. Ao redor, estão espalhados espigas de milho de cor vermelha (milho crioulo), raízes de mandioca (aipim), pequenas garrafas e frascos de vidro com líquidos escuros ou óleos, sementes grandes e escuras, e flores amarelas e laranjas. Há também elementos como uma moringa de cerâmica, um pilão de madeira, um saco plástico branco com textos e caixas de papelão, e um pedaço de tecido ou papel com uma ilustração colorida no canto superior direito. A composição geral é rica em texturas e cores terrosas, sugerindo um foco em medicina tradicional, agricultura familiar e saberes ancestrais
Banco de sementes crioulas dos Xukuru do Ororubá durante a primeira edição do Caatinga Climate Week, em 2025| Foto: Andréia Vitório

Isso porque, ao longo de gerações, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores e agricultoras familiares desenvolveram soluções para demandas reais que impactam o Semiárido nordestino, mas também reverberam no mundo.

Programação

O encontro no Museu Cais do Sertão, em Recife (PE), abre as atividades neste 1º de julho, com destaque para a discussão sobre Como falar da Caatinga, para a Caatinga e pela Caatinga.

Nos dias seguintes, os participantes se deslocarão para diferentes territórios do agreste pernambucano.

O objetivo é dar visibilidade a experiências que contemplam, por exemplo, banco de sementes, sistemas agroflorestais, tecnologias sociais de convivência com o semiárido, protagonismo quilombola, cooperativismo, agroindústria, proteção da biodiversidade, cosmovisão indígena e cultura e identidade da Caatinga.

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No roteiro, destinos como Caruaru, Garanhuns, Vertentes e Assentamento Normandia. E não para por aí: além das visitas de campo, as trocas culturais são destaques desta edição, que prevê oficinas em cultura popular, com atividades de cordel, xilogravura e aprendizado em barro, além de um almoço conversado com o Chef Thiago das Chagas sobre os ingredientes da Caatinga. 

SAIBA MAIS SOBRE A CCW 2026

Eco Nordeste é
presença confirmada

Para a diretora executiva Maristela Crispim, a Caatinga Climate Week é a cara da Eco Nordeste, “por dialogar com temas essenciais à nossa cobertura, em nosso território de atuação, que é o Nordeste brasileiro, em especial o Semiárido”.

“Além disso, como nosso trabalho é pautado pelo Jornalismo de Soluções, é uma grande oportunidade para conhecer de perto soluções que merecem ser conhecidas e reconhecidas, muitas delas com potencial de replicação para transformar realidades”, frisa.

Uma mulher sorridente com óculos e colete bege olha para a câmera enquanto está em uma ponte suspensa de madeira em uma área verde exuberante. Outra pessoa pode ser vista subindo a ponte ao fundo
Maristela Crispim é fundadora e diretora executiva do Instituto Eco Nordeste | Foto: Adriana Pimentel

Conhecer e apoiar a disseminação de diferentes experiências, fortalecendo a voz de pessoas, territórios e coletivos que fazem esse movimento, é contribuir para levar adiante o protagonismo da Caatinga e sua gente. Para além dos desafios relacionados à escassez hídrica, às desigualdades socioambientais e, cada vez mais, aos impactos das mudanças climáticas, há muita resistência, criatividade e soluções que inspiram.

Acompanhe relatos, histórias e boas práticas da Caatinga que são referência em, por exemplo, produção de alimentos, conservação ambiental e gestão sustentável de recursos naturais.

Enquanto isso, escute o podcast que o Centro Sabiá preparou:

*A repórter Andréia Vitório viajou para o evento a convite da organização.

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