Único bioma 100% brasileiro, a Caatinga é o semiárido mais biodiverso do planeta. Entenda o significado de ‘Mata Branca’, as adaptações da flora e as ameaças ao bioma

A Caatinga é um dos sete biomas brasileiros, incluindo o Oceano, sendo o único endêmico do País. Ela ocorre majoritariamente na região Nordeste e no norte de Minas Gerais, compreendendo 11% do território nacional, onde vivem aproximadamente 28 milhões de habitantes (IBGE, 2019). O nome vem do tupi-guarani e significa “mata branca”, em referência à estratégia adaptativa das árvores de perder folhas no período seco, expondo os galhos esbranquiçados.
É por essa habilidade de soltar as folhas total ou parcialmente para economia de água durante a seca que a vegetação da Caatinga recebe o nome de “decídua” ou “caducifólia”. Essa característica também inclui a Caatinga no bioma global Florestas e Arbustais Tropicais Sazonalmente Secos (Fatss, ou SDTFW na sigla em inglês), distribuídas nas Américas do Sul e Central, na África, na Ásia e na Oceania.
Nesse contexto, a Caatinga é o semiárido mais biodiverso das Américas e, em considerações recentes, o mais biodiverso do mundo. Além disso, é a maior e mais contínua área do bioma das Fatss do continente americano.
Confira o mapa da Caatinga
A Caatinga é delimitada por uma área na qual a precipitação anual máxima é de 1 mil milímetros (mm) de chuva, o que coincide com o traçado político do semiárido, ainda que com algumas diferenças. Ainda, ela é definida por duas estações bem definidas, a chuvosa, na primeira metade do ano, e a seca, na última metade do ano.
Por isso, as plantas da Caatinga são adaptadas para sobreviver a longos períodos com limitação de água e precipitação irregular. Além da deciduidade, as plantas geralmente possuem folhas pequenas, espinhos e desenvolvem tecidos especializados para armazenar água. Elas também tendem a ter uma “forma de vida terofítica”, quando a planta conclui o ciclo de vida anual durante a estação favorável e sobrevive durante a seca.

Assim, a Caatinga abriga desde florestas, ou seja, “uma vegetação arbórea cujas copas das árvores formam um dossel contínuo”; até arbustais xerófilos, a “vegetação com árvores baixas e esparsas e um estrato arbustivo mais denso”.
Por outro lado, as variações geomorfológicas que ocorrem dentro da área delimitada do bioma Caatinga permitem a presença de outros biomas. Nas regiões serranas, é possível encontrar fragmentos de florestas tropicais úmidas ou semidecíduas, conhecidas localmente como brejos de altitude, com características de Mata Atlântica e Amazônia. Nas áreas montanhosas, também ocorrem fragmentos de savanas, geralmente relacionadas ao Cerrado brasileiro.
Caatinga tem altas
taxas de endemismo
A depender dos grupos de seres vivos, as taxas de endemismo da Caatinga podem variar de 5% a 50%. No caso da flora, a taxa de endemismo é de 23%; para lagartos, o endemismo chega a quase 50%.
A Caatinga abriga no mínimo 3.150 espécies de plantas, sendo 720 endêmicas. Elas estão distribuídas em 950 gêneros e 152 famílias de angiospermas, as plantas com flor. Além disso, são mais de 1,8 mil espécies de animais entre vertebrados e invertebrados, dos quais pelo menos 327 são endêmicas.
Confira os números das espécies da Caatinga
Ainda assim, a Caatinga segue pouco conhecida cientificamente e pouco protegida. Somente 8% do bioma está em unidades de conservação (UCs), e menos de 2% das UCs são de proteção integral. Além disso, a maior parte das UCs protege principalmente vegetações com características de outros biomas, especialmente as matas úmidas.
No Ceará, por exemplo, apenas 2,01% da caatinga do cristalino (como é chamada a vegetação mais atribuída ao sertão) é protegida com uso sustentável e somente 0,51% com proteção integral.
A Caatinga é constante ameaçada pelo avanço:
- da agropecuária extensiva;
- de empreendimentos eólicos e solares;
- de termelétricas; e
- da mineração.
Referências bibliográficas
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