Neste segundo episódio do especial Protetoras da Caatinga, a agricultora e militante do movimento de mulheres do Polo da Borborema defende o papel da agricultura familiar sustentável para a proteção da vida e da cultura no campo

A Borborema é uma região formada por 13 municípios, no agreste da Paraíba, fortemente marcada pela presença da agricultura familiar. É dessa região que surgiram movimentos como as Ligas Camponesas, anterior à Ditadura Militar, e massacrado por esta, e que já reivindicavam direitos básicos para as mulheres em homens trabalhadores rurais.
É lá também que vive e milita Roselita Vitor Albuquerque, mulher negra agricultora, assentada e coordenadora do Polo da Borborema, organização que, dentre outras ações, promove anualmente a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, um dos maiores eventos organizados por mulheres rurais no País.
A marcha é um espaço de mobilização, anúncio e denúncia. Nos últimos anos, o evento tem sido incisivo sobre os impactos negativos das usinas solares e eólicas nas comunidades rurais, como o adoecimento da população e até a expulsão de famílias dos territórios.
Para o segundo episódio do especial Protetoras da Caatinga, em alusão ao Mês Internacional das Mulheres, conversamos com Roselita sobre os diversos papéis das mulheres da proteção do bioma Caatinga, sobre a Agroecologia para a manutenção da Biodiversidade no campo e sobre a proteção das diversas culturas rurais, ameaçadas continuamente pelos grandes latifúndios e modelo de produção agroexportador.

Rose Serafim – Qual é o papel das mulheres agricultoras na manutenção da biodiversidade da Caatinga?
Roselita Vitor – Eu penso que as agricultoras sempre carregaram consigo muitas das plantas, que servem de remédio. Já vi várias histórias das mulheres que usam a aroeira ou a cinza da Jurema para curar feridas. Quando a gente fala das plantas e dos animais, traz muitas histórias das plantas da Caatinga que estão lá e que tem várias serventias e muito saber dessas mulheres.
E essa dimensão desse saber eu acho que as mulheres sempre carregaram. Além disso, as plantas medicinais também têm algo muito profundo de conhecimento. Eu acho que é muito bonita essa relação.
A gente não pensa só no lucro. A gente quer ter renda, mas também quer sentir essas plantas, nessa relação de saúde e bem-estar
Roselita Vitor
Muito do que a gente tem da Caatinga, muitos dos saberes que a gente tem são a expressão do povo negro no Semiárido brasileiro, vem dessa raiz africana, dessa raiz indígena. E eu acho que hoje é que a gente consegue perceber.
Fomos desmistificando algumas coisas, como o umbu que antes era visto como uma planta que era para os tempos de fome, reconhecê-lo como uma planta nutritiva que é originária da Caatinga, do Nordeste, que assim como ela guarda água para sobreviver e que se mistura com as histórias das mulheres que resistiram por tanto tempo a tanta desigualdade.
Acho que a gente consegue ver essa dimensão quando vê a Caatinga sendo atacada, nesses últimos anos mais ainda. Porque quando a gente está olhando para essas falsas soluções sobre as energias renováveis, a partir dos empreendimentos eólicos, a partir das usinas solares e que a gente vê a Caatinga sendo retirada, é como se a gente fosse perdendo um pouco de nós também junto.
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E eu digo isso porque eu sou assentada da reforma agrária, sou neta e sou filha de agricultores sem terra. Vivi minha infância na roça e depois, quando eu tinha 12 anos, o patrão do meu pai vendeu a terra e a gente tinha que sair de lá e a gente saiu. Mas essa referência nunca saiu de mim. Faz 20 anos que eu moro numa área de assentamento e reforma agrária, área ocupada pelo Movimento Sem Terra (MST) aqui no território. E como é bonito ver essa Caatinga.
Eu adoro andar dentro do mato, olhando as plantas da Caatinga, com pé de juazeiro e como ele está em plena seca tão bonito, tão forte ali. Isso é como se fosse uma inspiração para gente, para a gente resistir aos ataques à Caatinga.
O que é sentar de tarde debaixo do pé de umbuzeiro na frente de casa? Tem um significado tão grande. Não é só alimento, é uma relação também cultural, é um bem-estar. Eu acho que nós mulheres sentimos mais isso. Porque vamos para além do que é econômico, vamos também para aquilo que é saúde, que é relação recíproca. A gente analisa a natureza feminina e as plantas da Caatinga.
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Quando a gente hoje tem marchado em defesa da Caatinga, contra esse processo de retirada, é porque a gente sente muito isso. Imagine não ter uma paisagem de um pé de umbuzeiro, de um pé de jurema, de um pé de facheiro, quando você olha da sua janela.
O capital não vê isso, porque ele só pensa no lucro mesmo. Mas a gente não pensa só no lucro, a gente quer viver, a gente quer ter renda, mas a gente também quer ver essa paisagem. A gente também quer sentir essas plantas, nessa relação de saúde e bem-estar e desse saber que é tão forte. É um pouco desse movimento de mulheres que tem se colocado nessa defesa da Caatinga e dizer que a gente quer energia renovável, sim, mas não retirando a Caatinga.
Rose – O Polo da Borborema e os movimentos de agricultoras e agricultores têm denunciado muito o modelo de energias renováveis que vem sendo implantado no Brasil. Em especial, nos territórios rurais. Qual o modelo que vocês consideram melhor?

Roselita – Essa tem sido a luta das últimas quatro marchas [das Mulheres]. A gente tem a marchado pela vida das mulheres e pela Agroecologia, que nasce nesse território que hoje mobiliza 6 mil mulheres rurais na semana do 8 de março. Essa expressão da marcha, ela nasce da importância da construção da Agroecologia, da convivência. É afirmar o que a gente quer enquanto modelo de agricultura, de bem-viver para as mulheres e denunciar também as formas de violação.
Quando a gente fala Energia Renovável Sim, Mas Não Assim, estamos dizendo que queremos energia renovável, o planeta precisa. Nós, enquanto seres humanos, precisamos de uma outra fonte renovável.
Mas a gente não quer uma produção de energia que exclua as mulheres, que deixe as mulheres mais pobres. Não queremos um modelo de energia que retire as pessoas do seu território, do seu lugar. E é isso que a gente tem visto em vários lugares desse Semiárido brasileiro.
Primeiro porque aprendemos que no Semiárido brasileiro podemos descentralizar a água. A gente democratizou a água no Semiárido para as populações rurais. Então, também podemos democratizar a energia. Energia que seja produzida pelas famílias, que seja inclusiva, que as famílias tenham autonomia, inclusive, de fazer as placas.
Nessa nossa 17ª marcha, nós vamos ter o lançamento do programa 1 Milhão de Tetos Solares para o Semiárido. Que começa neste ano em quatro estados do Nordeste: Paraíba, Pernambuco, Piauí e Minas Gerais.

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) construiu esse projeto que vai ser muito importante para mostrar não só para o Semiárido, mas para o mundo que é possível a gente produzir energia para nossas casas, é possível ter energia renovável para fortalecer a produção agroecológica e de convivência com o Semiárido e podemos até pode vender o excedente para uma empresa, por exemplo.
Mas o que acontece com esse outro modelo? É um modelo em que a energia não fica na comunidade, a comunidade não se beneficia da energia gerada pelas grandes usinas solares e pelos parques eólicos. As famílias não tem custo barato da energia, ainda é muito caro para as famílias agricultoras. Então, que energia é essa? Para onde é que ela vai?
E ela está alimentando um projeto político. A gente sabe que, no Semiárido brasileiro, as empresas, na sua maioria, são internacionais, usando e explorando as famílias agricultoras de forma abusiva, produzindo muito e investindo muito pouco e tendo retorno alto e as famílias não sabem nem que energia é essa, quanto que produz, além dos problemas de saúde, principalmente que as mulheres enfrentam no Semiárido.
A gente tem experiências que apontam um caminho inclusivo, respeitoso à natureza com a participação das mulheres, das famílias agricultoras
Roselita Vitor
O que a marcha aponta é um modelo de produção de energia que a gente entende que é inclusivo, o que gera autonomia das famílias. Porque as famílias vão confeccionar as placas, a juventude, as mulheres, a baixo custo, inclusive estamos estudando como é que a gente confecciona a placa, que tenha menos impacto ambiental, por exemplo, e que as famílias tenham autonomia.
E essa experiência nasce da experiência de Monte Santo na Bahia, onde uma Escola Família Agrícola tem já um modelo de produção de energia que abastece a escola, abastece a casa de polpa da comunidade e ainda os alunos aprendem a fazer as placas solares para as suas famílias.
A gente está nessa marcha muito feliz, inclusive, recebendo com muita alegria o lançamento desse programa pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), e que a gente entende que é fruto dessas várias lutas do Semiárido. Eu acho que o Semiárido mais uma vez sai na frente dizendo: “é possível”. E a gente tem experiências que apontam um caminho inclusivo, respeitoso à natureza com a participação das mulheres, das famílias agricultoras.

Rose – Eu queria que você falasse sobre as cisternas e da importância de políticas públicas de convivência com o Semiárido no Brasil.
Roselita – A cisterna é fruto da experimentação de um agricultor chamado Nel, que vem do sertão de Sergipe e que constrói, inventa essa tecnologia que vai ser, por muitos anos, uma das tecnologias mais importantes de democratização de água no Semiárido, mas também de autonomia das famílias agricultoras.
E como ela ainda é tão forte! A gente ainda tem uma demanda de 350 mil famílias no Semiárido que não têm acesso à primeira água, à cisterna de 16 mil litros para beber e cozinhar.
E a gente tem em torno de 260 mil que necessitam de cisterna de segunda água para a produção de alimentos. Estou dizendo em torno de 260 mil porque a gente tem um problema que é da terra. Para a construção da cisterna, para a produção de alimentos, precisa de espaço. E eu acho que esse é um grande desafio que a gente tem no Semiárido.

Mas eu queria dizer que a cisterna não só é a água, ela também gerou muito conhecimento nas famílias agricultoras. Porque foi entendendo que a desigualdade que a gente vivia há 30 anos, 40 anos atrás, não era uma desigualdade por acaso, era falta de uma política pública decente que pudesse chegar às famílias, chegar lá no pé da serra onde a família mora. Então, eu acho que essa cisterna tem um significado muito grande.
E eu acho que uma outra lição e aprendizado que temos e estamos falando muito nisso também é o conselho. É dessa relação com as da sociedade civil com o governo. Porque uma política que nasce das famílias agricultoras, dos territórios, ela pode dar muitos frutos se ela tiver essa relação forte construída entre a sociedade civil e o governo.
A gente não pode pensar numa política pública sem a participação da sociedade. Eu acho que ela não teria o mesmo valor, ela não teria o mesmo sabor que tem o programa Cisternas hoje, porque ela enraizou muita coisa. Ela contribuiu para que as mulheres no Semiárido se auto afirmassem enquanto agricultoras experimentadoras, com valor, com conhecimento. Então, a gente se reinventa num cenário brasileiro.
Temos outras políticas que convergem para essa situação de tirar essas famílias da invisibilidade, do sofrimento, como o Bolsa Família, e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Eu vi matérias recentes que falam que 30% dos beneficiários do programa Cisterna deixaram Bolsa Família. E por que deixaram Bolsa Família? Porque umas se integraram a redes de feiras agroecológicas no seu município, passaram a produzir, levar o excedente para feira agroecológica, ou passaram a vender o excesso da sua produção aos vizinhos e terão a sua renda. E começaram a acessar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)ne o PAA, por exemplo.
A Agroecologia não é uma relação só do valor econômico, mas também das relações recíprocas das famílias agricultoras
Roselita Vitor
Investir numa política é investir nas pessoas, é construir dignidade para as famílias do Semiárido. A gente tinha uma história muito marcada pela desumanidade, pela saída das pessoas, e como que a gente acertou? Construindo políticas que fazem as pessoas ficarem. A diminuição do êxodo rural. A gente sabe que isso tem um impacto muito grande. O programa de Cisternas tem esse grande valor.
Rose – Como é o modelo agroecológico que a sua organização defende, a agricultura familiar agroecológica?
Roselita – A Agroecologia não é somente uma produção sem veneno. Eu estou aqui militando no território da Borborema já desde 1993 na Agroecologia. Hoje, a gente tem vários frutos desse processo. Temos 14 feiras agroecológicas nesse território, cinco quitandas agroecológicas e uma rede de agricultores e agricultoras guardiãs das sementes. Temos 1.200 mulheres iniciando seus produtos nas suas cozinhas. E o que é isso? É fruto de uma relação recíproca, de uma relação solidária das famílias com a terra.

Porque aquela família que produz o alimento também arboriza a sua propriedade, faz a gestão da água, guarda as sementes crioulas que já vêm dos seus antepassados e se mantém hoje produzindo, partilhando com os vizinhos, fortalecendo redes de agricultores e agricultoras guardiãs das sementes.
Então, a Agroecologia é essa outra relação, não é uma relação só do valor econômico, mas é também das relações recíprocas das famílias agricultoras.
Eu sou uma guardiã da semente, mas eu não tô só pensando em mim. Como é que eu faço para que aquela outra comunidade também seja uma comunidade guardiã da semente, para que ela não fique dependente da semente da indústria?
Quando a gente apaga esse saber ancestral, a gente vai se perdendo também
Roselita Vitor
A gente tem uma campanha, que hoje não é só uma campanha do Polo, ela já está na Asa Paraíba e outras redes, que é Não Planto Transgênico Para Não Apagar Minha História.
Porque quando a gente apaga esse saber ancestral, o conhecimento sobre as sementes, do manejo das nossas roças, a gente vai se perdendo também. A Agroecologia também é esse valor cultural que se expressa na organização das famílias agricultoras.
Eu planto uma semente que não carrega em si só urgências para multiplicar, ela carrega a história da minha avó, do meu avô, do meu pai. Ela carrega também essa história da diversidade.
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Não é à toa que os agricultores que fazem a agroecologia, não só aqui no Polo, mas em vários lugares do Semiárido brasileiro, em outros lugares do Brasil, não plantam só uma variedade. Eles plantam várias, várias sementes de milho, de fava, de feijão.
E tem um significado muito grande, que é a soberania, a segurança alimentar e nutricional. Se você plantar uma semente, der uma seca e aquela semente não for resistente, você perde tudo. Mas se você planta várias, você planta aquela que é mais rápida e se der mais chuva, colhe logo. Você planta outra que é mais tardia, se demorar a chuva, ela vai dar. E assim é a sabedoria do nosso povo.
Se a gente perde isso, a gente perde autonomia, cultura, o sabor que a gente carrega; porque o alimento não é só algo que a gente come, a gente também carrega a história dele.

Se tem uma coisa que eu gosto muito, é de um café da manhã com macaxeira e manteiga da terra, porque essa lembrança vem desde quando eu era criança no sítio que mamãe fazia o nosso café. A gente tinha que ir para a escola e ficava aquele monte de menino ao redor da mesa, esperando aquele café para tomar com macaxeira e manteiga da terra.
Então, essa é uma relação muito forte que as pessoas têm. Se eu perder isso, a gente perde muita coisa de nós também, não é só a natureza que perde. Nós também perdemos. Perde essa história, perde essa relação com alimento, com a cultura de fazer agricultura.
Rose – Você acredita que essa relação de convivência dos agricultores e das agricultoras com o Semiárido, com a Catinga, possibilita, por exemplo, lidar com problemas como a desertificação?
Roselita – Eu vejo que a gente tem muita experiência para dar. Eu lembro que a minha mãe saía muito de casa para ir buscar lenha no mato várias vezes durante a semana. E muitas outras mulheres também, às vezes ia um grupo de mulheres.

A gente depois foi descobrindo tecnologias sociais tão importantes, como o fogão ecológico. Com ele você não precisa ir na mata buscar e tirar nada. Você poda as suas gliricidias, poda seus pés de juazeiro e ali já é lenha que você consegue cozinhar num fogão que não faz fumaça, que não prejudica a saúde, inclusive das mulheres, porque são elas ainda na sua maioria que cuidam na comida, dos afazeres de casa.
Na realidade, hoje ainda, mesmo que tenha homens que fazem, na maioria são as mulheres. Ter um fogão ecológico sem fumaça que cozinha mais rápido é uma coisa fantástica. A gente vai descobrindo essas coisas.
E a gente vai entendendo que não pode ficar nessa luta contra a natureza, pois ela é nossa parceira.
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Mas a gente sabe que, na maior parte desse processo [de desertificação], quem faz são os grandes latifundiários. Que inclusive têm desmatado e que têm influenciado a desertificação com a pecuária extensiva, com o modelo do agronegócio, do veneno, do desmatamento para monoculturas. Eu acho que a agricultura familiar, a Agroecologia dá muito para a natureza.
A gente vai numa propriedade de uma agricultora e vê como ali tem tanta coisa ao mesmo tempo, às vezes no hectare de terra. O quanto tem de diversidade de plantas forrageiras, de plantas nativas, e o quanto isso é tão importante. Essa cultura do desmatamento veio muito dos grandes latifúndios que desmatavam para criar gado.
Eu moro numa área de assentamento que já foi fazenda. Lá em casa você não vê minha casa, você só vê a árvore, porque choveu e tudo enfolhou. Tem ipê, tem oiti, tem juazeiro, cajueiro… Temos uma área que a gente não trabalha, que tem muita jurema e, às vezes, um vizinho chega: “Tu não quer me dar essa jurema para eu tirar, não?” Mas por que a jurema tem que ser tirada? Deixa a bichinha lá. Qual é o problema?

A gente não usa essa área. A gente já criou os animais, mas hoje a gente não cria mais. Tem a nossa área de roçado, que é separada. E qual o problema da jurema ficar lá?
Essa coisa de só ficar na natureza o que dá dinheiro, e o que não dá se retira, é uma cultura que nunca foi da agricultura familiar. Nunca foi da cultura indígena, quilombola. Ela é espelhada no grande latifúndio, que desmatou muito para a criação [de animais].
Eu acho que a agroecologia nos faz repensar essas coisas que vêm de outras histórias de trabalhadores que eram escravizados nas fazendas e não tinham terra, então também não conseguiam pensar o seu lugar em uma outra relação.

Mas hoje a gente tem muitos agricultores e agricultoras em vários lugares do Semiárido que estão construindo conhecimento e que têm uma biodiversidade sagrada no seu lugar de vivência.
A agricultura familiar não pode ser responsável por tudo que está acontecendo no Planeta hoje. Porque quem mais desmata, quem mais tem terra é o latifúndio, é o agroexportador, que quer ganhar a todo custo, é a partir da pecuária extensiva, a partir da monocultura e, no Semiárido recente, as energias renováveis a partir das empresas. Mas é a agricultura que tem salvado esse planeta. A agricultura familiar, agroecológica. E só ela acho que pode salvar Não vejo qual é o outro caminho sem ser pela Agroecologia.


