Guarás do Recôncavo revelam a importância dos manguezais

O aumento dos avistamentos da espécie na Bahia é resultado de 30 anos de reflorestamento com mudas nativas e de ações de educação ambiental voltadas a pescadores e marisqueiras

Imagem composta com uma foto central de dois guarás vermelhos em um galho seco, sobreposta a outra foto de guarás voando no céu acima da vegetação.
Imagens: Fotografias de Helivan Pinto e Sérgio Cedraz (WikiAves) e reprodução do vídeo institucional (Fundação Vovó do Mangue) | Montagem: Antônio Laranjeira

No Porto do Cajá, a paisagem muda junto com a maré. Quando a água começa a recuar, o espelho que cobre parte do estuário desaparece lentamente e revela um solo escuro, recortado pelas raízes do mangue. Estamos em Maragogipe, Recôncavo Baiano, onde durante o amanhecer e os finais de tarde os guarás costumam fazer suas revoadas.

O guará (do tupi-guarani) é identificado também pelo nome científico Eudocimus ruber (um misto de grego e latim) que significa “ave de coloração vermelha gloriosa”. Mais do que uma joia da biodiversidade, fora do risco de extinção, os guarás são indicadores da complexidade ecológica dos grandes estuários tropicais.

A história conhecida dessa espécie acompanha as transformações dos manguezais ao longo do litoral atlântico, com ocorrência em diferentes países da América do Sul. A presença deles depende da disponibilidade de alimento, da dinâmica das marés e da existência de extensas áreas de manguezal capazes de manter uma cadeia de relações ecológicas que envolve peixes, crustáceos, moluscos, microorganismos e inúmeras outras espécies.

Guará de plumagem vermelha voando na horizontal baixinho sobre a água, com vegetação ao fundo.
Registro de um guará em pleno voo com o manguezal ao fundo | Foto: Ciro Albano / WikiAves

É justamente esse conjunto de fatores que faz do Recôncavo um habitat singular entre centenas de quilômetros do litoral do estado da Bahia. Enquanto muitos trechos do litoral brasileiro perderam parte de seus manguezais para a expansão urbana, atividades industriais e outras formas de ocupação costeira, a Baía de Todos os Santos ainda conserva um dos maiores sistemas estuarinos do País.

Com cerca de mil quilômetros quadrados de espelho d’água, a Baía de Todos os Santos ocupa uma posição singular na costa brasileira. Em suas margens distribuem-se dezenas de municípios, comunidades pesqueiras, áreas protegidas e remanescentes de manguezais que são a base de uma intensa produtividade biológica.

No mapa, essa rede de manguezais e apicuns revela um território contínuo, moldado pelo encontro entre as águas doces que descendem do interior da Bahia com o Rio Paraguaçu e a influência diária do Oceano Atlântico, formando o lagamar da Baía do Iguape.

O terceiro infográfico foca no recorte regional da Baía de Todos os Santos, exibindo um mapa estilizado da baía com círculos vermelhos proporcionais à quantidade de avistamentos em cidades como Santo Amaro, São Francisco do Conde e Salinas da Margarida. O painel inclui uma tabela listando as ocorrências por município, dados conceituais sobre áreas de manguezal e apicum acompanhados de imagens circulares, e a ilustração de um par de guarás voando em destaque no canto inferior direito.
Fontes das informações: WikiAves e Fundação Vovó do Mangue | Foto: Antônio Laranjeira / ChatGPT 5.5

Onde o rio sobe e desce 

Durante a maré baixa, o sedimento exposto concentra pequenos caranguejos, camarões, moluscos e outros invertebrados que constituem a base de sua alimentação. Quando a água retorna, esses mesmos manguezais tornam-se abrigo para peixes juvenis, crustáceos e inúmeras outras espécies que dependem do estuário para crescer antes de seguir para o Oceano Atlântico.

Essa alternância permanente entre água e terra faz dos manguezais um dos ecossistemas mais produtivos do planeta. A vegetação estabiliza o solo, reduz processos erosivos, retém sedimentos e nutrientes transportados pelos rios e cria condições para o desenvolvimento de uma complexa cadeia alimentar. 

Guará de tom castanho-avermelhado e duas garças-brancas alimentando-se em uma área alagada e lamacenta.
Em busca de alimento, um jovem guará percorre o manguezal entre duas garças | Foto: Helivan Pinto / WikiAves

Observar um guará caminhando lentamente sobre o lodo é assistir ao funcionamento dessa engrenagem ecológica. O bico longo e curvado percorre o sedimento quase sem interrupção, localizando presas invisíveis sob a superfície. Cada movimento depende de processos que começaram muito antes, com a chegada dos nutrientes transportados pelos rios, a decomposição da matéria orgânica produzida pelas árvores do mangue e o desenvolvimento dos organismos que compõem toda a cadeia alimentar.

Onde persistem biomas de manguezais contínuos, circulação natural das marés e oferta de alimento, permanecem também as condições que permitem que dezenas de outras espécies e as atividades das comunidades que vivem da pesca e da mariscagem, no território marinho reconhecido como Resex Marinha da Baía do Iguape.

Vista panorâmica do alto mostrando uma grande extensão de vegetação verde e densa de manguezal com um rio calmo ao centro.
Imagens de drone de Maragogipe, no Recôncavo Baiano, município pioneiro no reflorestamento de manguezal no Brasil | Foto: Fundação Vovó do Mangue/Reprodução

“Até o final de 1990, a lenha do manguezal alimentava as padarias, carvoarias, olarias e casas de defumação de carne suína na região, sofria com o avanço das moradias nas áreas de mangues que foram soterradas, depósito irregular de lixo doméstico”, relembra Bruno Barbosa, engenheiro agrônomo pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e atual coordenador geral da organização não-governamental Fundação Vovó do Mangue.

“Abaixo assinados e audiências públicas levaram o governo federal a criar a primeira Reserva Extrativista da Bahia em 2000, sob gestão do Ibama. Em 2007 com a criação do Instituto Chico Mendes (ICMBio), a gestão federal da Resex do Iguape foi substituída”, explica.

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No Recôncavo Baiano, a maré organiza muito mais do que a paisagem. Ela define os horários da pesca, orienta a coleta de mariscos, determina o deslocamento das embarcações e regula a disponibilidade de alimento para centenas de espécies; como micro-organismos, invertebrados, peixes, aves e mamíferos.

O guará mede em média 55 centímetros. A plumagem é de um colorido vermelho de tom escarlate. No Recôncavo, os grupos forrageiam em bandos de dezenas de aves que chamam atenção ao longe pela coloração quente. O motivo da cor das penas é a alimentação à base do caranguejo chama-maré (Uca maracoani), que possui um pigmento (carotenos) que tinge as plumas, de acordo com fontes científicas que alimentam a WikiAves, a maior base de dados sobre aves do Brasil na internet, conforme o infográfico.

O segundo infográfico ilustra o ciclo biológico e ecológico da espécie por meio de um diagrama circular numerado em cinco etapas: ninho e reprodução, alimentação, dispersão, papel ecológico e conservação. A composição visual traz no centro uma imagem impressionante do guará em voo, cercada por fotografias de filhotes no ninho, da ave se alimentando no lodo e de suas presas típicas, como o caranguejo chama-maré e o peixe-pulador, além de ressaltar a diferença entre ecossistemas de manguezal e apicum.
Fontes das informações: WikiAves, GBIF, eBird e Fundação Vovó do Mangue | Foto: Antônio Laranjeira / ChatGPT 5.5

Essa relação explica porque pesquisadores costumam associar a espécie à integridade dos estuários. A reprodução da espécie é feita em colônias, normalmente em ilhas onde os ninhos são feitos no alto das árvores de mangue. Normalmente a fêmea põe de dois a três ovos a cada ninhada.

“Quando o mangue tá com saúde, ele funciona como o verdadeiro berçário de toda a vida marinha; é ali que mariscos e peixes crescem. Se o mangue tá forte, a gente tem fartura de peixe, siri, ostra, sururu e moreia… É esse equilíbrio que atraiu os guarás. Eles vieram porque o mangue oferece alimento e abrigo limpo para eles morarem”, descreve a marisqueira e pescadora Norma Borges, conhecida como “Pina”, de 54 anos, moradora de São Roque do Paraguaçu, comunidade localizada próxima à foz do rio.


O território visto pelos dados

Durante décadas, a presença do guará nos manguezais brasileiros foi documentada principalmente por expedições científicas, inventários de fauna e coleções zoológicas. Cada observação registrada em campo acrescentava uma nova peça ao conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas quase sempre restrita a um lugar e a um momento específicos.

Nos últimos anos, a digitalização dessas informações e a expansão de plataformas internacionais de biodiversidade passaram a conectar milhares de registros produzidos por universidades, museus, órgãos ambientais e iniciativas de ciência cidadã. Em vez de observações isoladas, tornou-se possível visualizar padrões espaciais que atravessam diferentes regiões e períodos históricos.

Dois guarás vermelhos pousados em um galho seco de árvore diante de uma colina arborizada.
O registro permite observar as nuances de evolução da plumagem, que passa de tons pardos na fase juvenil para o vermelho-escarlate característico do adulto | Foto: Helivan Pinto / WikiAves

Foi essa perspectiva que orientou a análise realizada para esta reportagem. Os registros públicos de fotografias e áudios disponibilizados pelas plataformas GBIF, WikiAves e eBird foram confrontados com a cartografia dos manguezais, da hidrografia, do uso do solo e das áreas protegidas de Maragogipe, dados geoespaciais da plataforma MapBiomas.

O cruzamento foi feito para compreender como a ocorrência documentada dos guarás do Recôncavo se relaciona com as políticas e práticas ambientais do território.

No Recôncavo Baiano, os registros distribuem-se por diferentes municípios banhados pela Baía de Todos os Santos. O resultado da análise dos dados cruzados reforça um padrão descrito há décadas pela literatura científica: as ocorrências da espécie acompanham a continuidade dos grandes estuários e manguezais da costa brasileira.

O primeiro infográfico apresenta um mapa do Brasil com a distribuição de avistamentos do guará (Eudocimus ruber) ao longo do litoral, acompanhado por uma tabela que detalha o número de registros por estado. Ele destaca o total geral de 3.669 registros (com liderança de São Paulo, Paraná e Maranhão) e complementa a visualização com uma foto no canto inferior direito que mostra dois guarás vermelhos pousados em galhos de mangue.
Fonte dos dados: WikiAves | Foto: Antônio Laranjeira / ChatGPT 5.5

Os dados, entretanto, precisam ser interpretados com cautela. Bases públicas como o GBIF e o eBird registram ocorrências, não populações. Cada ponto no mapa representa a documentação da presença da espécie em determinado local e data, resultado de diferentes campanhas de pesquisa, coleções científicas ou observações realizadas por especialistas e observadores de aves. 

A quantidade de registros pode refletir tanto a distribuição conhecida do guará quanto às diferenças no esforço de amostragem entre quatro das cinco regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Sudeste e Sul.

O Recôncavo permanece como um dos mais importantes territórios para a conservação do guará no Nordeste não porque concentra um número excepcional de registros, mas porque ainda preserva a integridade ecológica de um dos maiores complexos de manguezais do País.


O equilíbrio local e a pressão global

A permanência do guará nesta região da Bahia não significa que esse equilíbrio esteja garantido. Ao contrário, ela revela um sistema ecológico que continua funcionando, onde a biodiversidade depende da integridade dos manguezais, da qualidade das águas fluviais e da circulação das marés com águas marinhas. Quando um elemento é alterado, os efeitos se propagam por toda a cadeia ecológica.

Os impactos nem sempre são imediatamente visíveis. A supressão de um trecho de manguezal, o lançamento contínuo de efluentes, o assoreamento de canais ou a ocupação irregular das margens podem parecer alterações localizadas. 

Vista aérea de extensa área de manguezal verde cortada por um rio, com casas ao lado e mar ao fundo.
Rio do município de Maragogipe visto por drone | Foto: Fundação Vovó do Mangue / Reprodução Instagram

De acordo com dados da série histórica do MapBiomas (1985-2023), em 1985, a superfície do município de Maragogipe, onde essa reportagem começou, contava com 4.101,48 hectares cobertos pelas águas do Rio Paraguaçu. Em 2023, essa extensão recuou para 3.593,48 hectares. Isso significa uma perda de exatos 508 hectares do espelho d’água. Por outro lado, os manguezais em Maragogipe saltaram de 1.157,80 hectares para 1.645,78 hectares no mesmo período. Trata-se de um ganho de 487,98 hectares de floresta de mangue.

Essa correlação entre águas, solo e vegetação orienta o trabalho desenvolvido pela Fundação Vovó do Mangue. Fundada em 1997, a organização não-governamental (ONG) deu início a uma série de ações de educação e preservação ambiental que reflete atualmente no desenvolvimento socioeconômico de comunidades tradicionais locais.

“Esse crescimento evidencia a dinâmica e a capacidade de regeneração desse importante ecossistema costeiro. Os resultados dessa trajetória de ações podem ser percebidos também na biodiversidade: é cada vez mais evidente a presença dos guarás em nosso manguezal. A presença dessas aves representa um sinal visível da recuperação das condições ecológicas em Maragogipe”, avalia Bruno Barbosa.

Guará vermelho pousando ou levantando voo de galhos secos, com asas bem abertas em primeiro plano.
Registro de um guará em pleno pouso no cume de uma árvore de mangue | Foto: Ciro Albano / WikiAves

Desde a década de 1990, os manguezais passaram a ocupar lugar de destaque nas discussões internacionais sobre mudanças climáticas por ser o bioma brasileiro com maior capacidade de capturar e armazenar carbono no solo e na biomassa, de acordo com um artigo publicado em 2021 na revista Science.

Esse é o chamado carbono azul, conforme relatório do Programa para o Meio Ambiente da ONU (Pnuma). A função chamada de “sumidouro de carbono” reforça a importância dos manguezais para estratégias globais de mitigação, mas não resume o valor desses ambientes. Reduzir os manguezais a estoques de carbono significaria ignorar sua dimensão territorial.

No Recôncavo Baiano, os manguezais são territórios onde trabalho, memória, cultura e pertencimento se entrelaçam. Cada maré renova pelas águas uma relação socioambiental construída ao longo de séculos entre comunidades humanas e um ambiente cuja biodiversidade depende tanto de processos naturais quanto da permanência desses modos de vida.


Quem cuida do território

O conhecimento necessário para compreender os manguezais da Baía de Todos os Santos é produzido diariamente por pesquisadores, pescadores, marisqueiras, gestores públicos ambientais e educacionais e organizações da sociedade civil que observam o território sob perspectivas diferentes, mas frequentemente complementares.

Para quem trabalha na pesca e na mariscagem, o manguezal é um território em fluxo, onde se aprende a reconhecer o comportamento das marés, o deslocamento geográfico dos cardumes de peixes no rio e bandos de aves no ar e perceber alterações sutis que ainda não aparecem nos levantamentos científicos.

Bando de guarás vermelhos em voo no céu azul, sobre a copa de árvores e manguezal.
Bando de guarás sobrevoando em Maragogipe | Foto: Sérgio Cedraz / WikiAves

“Conheço bem esse manguezal e garanto que ele só fez crescer e melhorar com o tempo, com muito plantio novo se espalhando. Mas a mudança mais bonita que presenciei nesses anos foi a chegada dos guarás, há uns 25 ou 30 anos”, comenta André “Azeiteiro”, pescador tradicional de 52 anos, que começou na pesca aos 10 anos, acompanhando os mais velhos.

“Se você andar por aqui, calcula fácil mais de 10 mil dessas aves na nossa área, sendo mais de 3 mil concentradas em um único pedaço de mangue [uma ilhota em Maragogipe]. É uma beleza que coloriu o nosso rio de vermelho e não traz prejuízo a ninguém.”

Essa leitura cotidiana do território tem sido cada vez mais reconhecida por pesquisadores dedicados ao estudo dos ecossistemas costeiros. Em vez de tratar ciência e conhecimento tradicional como formas concorrentes de compreender a natureza, diferentes projetos de conservação passaram a aproximá-los.

Guará de plumagem vermelha em pé sobre a lama à beira da água, visto de perfil.
Guará durante o momento de caça por alimentação no solo de Maragogipe | Foto: Francisco Neto / WikiAves

As observações baseadas na vivência comunitária, realizadas por quem trabalha extraindo alimentos do manguezal, ampliam a capacidade de identificar padrões e mudanças graduais. Por sua vez, as pesquisas científicas ajudam a contextualizar esses processos ecológicos em escalas de espaço e tempo mais amplas, comparando os manguezais do Brasil.

No Recôncavo, nos últimos 30 anos, iniciativas de restauração ecológica, educação ambiental e fortalecimento das comunidades tradicionais buscaram integrar proteção ambiental e participação social, reconhecendo que a conservação depende tanto da recuperação dos ecossistemas quanto da permanência das pessoas que historicamente construíram suas relações com o mangue.

Diante do cenário de transformações geográficas na região do Recôncavo Baiano, a instituição consolidou-se como um pilar de sustentabilidade por meio de iniciativas de impacto, com destaque para o projeto CO2 Manguezal.

Focada na restauração de áreas degradadas, a ONG promove o plantio de mudas nativas em parceria com pescadores e marisqueiras, atuando diretamente para que a expansão dessas florestas costeiras ocorra de forma saudável e integrada à proteção da biodiversidade da Baía de Todos os Santos.

A atuação da Fundação Vovó do Mangue é somada a uma ampla rede formada por universidades, instituições públicas e comunidades ribeirinhas que compartilham um mesmo desafio: garantir a conservação ambiental para a sustentabilidade da geração de renda com as atividades pesqueira e marisqueira no entorno da Baía de Todos os Santos.

Guará de plumagem vermelha intensa e pontas das asas pretas voando contra um céu azul limpo.
Registro de um guará em pleno voo sob o céu azul | Foto: Leonardo Casadei / WikiAves

“Ver o voo dos guarás sobre os manguezais de Maragogipe é mais do que contemplar a beleza da natureza: é um bioindicador de que a natureza responde quando recebe a oportunidade de se recuperar”, comenta Carlinhos de Tote, educador ambiental é um dos membros-fundadores da Fundação Vovó do Mangue.

A cada maré, sedimentos são redistribuídos, nutrientes circulam entre rios e oceanos, árvores do mangue alimentam uma complexa cadeia ecológica e milhares de organismos renovam um sistema que sustenta a vida ao longo de toda a baía. Nessa parte costeira do Nordeste, a atual existência do guará resulta da sinergia entre políticas públicas nacionais, produção científica estadual e mobilização comunitária municipal.

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