Observação de Aves no Banco dos Cajuais ganha reforço

Observatório estimula o ecoturismo, aproxima visitantes, pesquisadores e comunidade, e fortalece a conservação das aves migratórias do litoral cearense

Fotografia em plano médio de um pássaro em uma praia rasa de água calmo-azulada, posicionado de perfil para a direita enquanto se espreguiça em apoio sobre uma só perna. O pequeno pássaro de bico preto fino e reto tem o peito e a barriga brancos, com o dorso e a cabeça cobertos por penas mescladas em tons de marrom, cinza e bege. Ele estica a asa direita e a perna direita para trás em um movimento elegante, exibindo as penas abertas e alinhadas da asa. O cenário é de água rasa e transparente, com pequenos montículos de algas amareladas e conchas espalhadas sobre a areia molhada
Maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla) | Foto: Onofre Monteiro

O município de Icapuí, localizado no litoral leste do Ceará, abriga um complexo estuarino chamado Banco dos Cajuais. Formado por habitats essenciais para as aves limícolas migratórias, como manguezais, áreas de salina e uma imensa planície de maré, onde as espécies descansam e se alimentam. As informações são da equipe de monitoramento do Projeto Aves Migratórias da Aquasis, os biólogos Onofre Monteiro, Victoria Reis e Tamiris Lima.

Segundo eles, a área é conhecida internacionalmente pela sua importância para aves migratórias ao longo da Rota Migratória do Atlântico Ocidental. Seu reconhecimento se dá por meio da Western Hemisphere Shorebird Reserve Network (WHSRN), ou Rede Hemisférica de Reservas para as Aves Limícolas, uma chancela internacional que determina áreas prioritárias para a conservação de aves limícolas migratórias nas Américas.

Fotografia aérea panorâmica em perspectiva elevada de uma construção em madeira de tom avermelhado localizada na ponta de uma pequena península cercada por águas calmas em tons de azul. A estrutura possui telhado plano avermelhado, estrado elevado sobre pilares e um deck aberto voltado para a água. Um caminho estreito de terra sinuoso conecta a construção ao continente, onde há alguns carros estacionados e pessoas ao redor. A paisagem ao redor é composta por vasta vegetação rasteira em tons verde-claros e manguezais densos ao fundo, sob uma iluminação suave de fim de tarde e céu claro
Vista aérea do Observatório Banco dos Cajuais, em Icapuí, no Litoral Leste do Ceará | Foto: Elismar Santos / Aquasis

Para reforçar as atividades de observação das aves e a sua conservação, o lugar conta agora com um novo equipamento voltado à conservação da natureza e à valorização da biodiversidade costeira. O Observatório de Aves Banco dos Cajuais, desenvolvido pelo Projeto Aves Migratórias, uma iniciativa da ONG Aquasis, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, foi criado para proporcionar a observação e a apreciação das aves limícolas migratórias, além de outras espécies locais, em seu habitat natural.

“A ideia surgiu da necessidade de criar um espaço que aproximasse a sociedade da rica biodiversidade do Banco dos Cajuais, uma área estratégica para a conservação das aves migratórias. O local foi escolhido por sua relevância ecológica, pois abriga diversas espécies ao longo do ano e oferece condições ideais para a observação de aves, pesquisa científica, educação socioambiental e fortalecimento do ecoturismo na região”, comenta Onofre Monteiro, coordenador de Monitoramento e Pesquisa do Projeto Aves Migratórias (PAM).

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Instalado no Banco dos Cajuais, uma das áreas mais relevantes para aves migratórias no litoral cearense, o observatório também representa uma oportunidade para impulsionar o ecoturismo em Icapuí, ao fortalecer a economia local por meio da visitação consciente e dar oportunidades para moradores, empreendedores e iniciativas ligadas ao turismo sustentável.

Mais do que um espaço de contemplação, o Observatório de Aves Banco dos Cajuais será utilizado em ações de educação socioambiental, visitas guiadas, atividades com escolas, pesquisadores e turistas, de forma a contribuir para difundir a importância das aves migratórias e da conservação dos ambientes costeiros.

A inauguração do observatório reforça o compromisso do Projeto Aves Migratórias com a proteção da biodiversidade, deixa um legado para a comunidade e consolida o Banco dos Cajuais como um importante destino para quem busca conhecer a riqueza natural do litoral cearense.

“Como nós só protegemos o que conhecemos, este novo espaço vai aproximar a futura geração, trazer mais renda com turistas passando mais tempo na região. É um espaço que vai se tornar referência como equipamento para conservação”, afirma Gabriela Ramires, coordenadora de Políticas Públicas e Advocacy do PAM.

Espécies mais comuns

Fotografia em plano aberto e horizontal mostrando um grande bando de pássaros voando em revoada baixa sobre o mar. As centenas de pequenas aves cinzentas e castanhas estão agrupadas no centro da imagem, voando em sincronia da esquerda para a direita, quase rente às águas azul-esverdeadas cobertas de marolas e espumas brancas perto da praia. Ao fundo, no horizonte distante sob um céu claro de tom azul-pálido, observam-se silhuetas desfocadas de barcos de pesca ancorados e outro grupo menor de aves voando ao longe
Entre as visitantes mais frequentes estão as aves limícolas como o maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus) | foto: Onofre Monteiro

Entre as visitantes mais frequentes estão as aves limícolas, grupo de espécies aquáticas que utilizam zonas entremarés e ambientes próximos a corpos d’água e alagados de pouca profundidade, ao longo da costa e também em águas interiores. O termo limícola está associado à palavra em latim limus, que significa limo, lodo ou lama, e para viver nesse tipo de ambiente essas aves possuem características especiais, como pernas e dedos longos que facilitam seu caminhar, e o bico com diversos tamanhos e adaptações para a alimentação nesse tipo de habitat, popularmente conhecidas como maçaricos e batuíras.

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Fazem parte desse grupo espécies como o maçarico-de-perna-amarela (Tringa flavipes), o vira-pedras (Arenaria interpres), o maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus), o maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), a batuíra-de-bando (Charadrius semipalmatus) e o batuiruçu-de-axila-preta (Pluvialis squatarola). Também são comuns aves marinhas, como o trinta-réis-róseo (Sterna dougallii) e o trinta-réis-boreal (Sterna hirundo). Apesar do aumento no número de aves durante a temporada migratória, é possível observar diferentes espécies na região durante todo o ano.

Dezenas de milhares de aves visitam o Banco dos Cajuais anualmente, com alta representatividade do maçarico-rasteirinho (Calidris pusilla), maçarico-de-papo-vermelho (Calidris canutus), maçarico-branco (Calidris alba), maçarico-de-costas-brancas (Limnodromus griseus), vira-pedras (Arenaria interpres) e da batuíra-de-bando (Charadrius semipalmatus).

Fotografia em plano médio de um bando de cerca de duas dezenas de pássaros reunidos sobre um pequeno monte de areia clara em uma praia. Os pequenos pássaros possuem plumagem predominantemente acinzentada e castanha no dorso com o peito e a barriga brancos, e bicos pretos e finos. Eles estão espalhados em diferentes posições: alguns ciscam com o bico voltado para o chão em busca de alimento, outros descansam em grupo no centro e alguns permanecem no topo da duna. Ao fundo, pequenas plantas rasteiras com folhagens verdes pontilham a areia e, mais atrás, vê-se a extensão do mar em tom azul-escuro desfocado sob a iluminação natural do sol
Um bando de maçaricos-rasteirinhos (Calidris pusilla) | Foto: Onofre Monteiro

A região abriga mais de 1% da população mundial das espécies maçarico-de-papo-vermelho (da subespécie Calidris canutus rufa) e maçarico-de-costas-brancas (da subespécie Limnodromus griseus griseus). Durante o período de pico da migração das espécies, há registros de monitoramento realizados pela equipe no quais foi possível observar mais de 5 mil indivíduos de aves migratórias de diversas espécies, em um único dia.

A Aquasis realiza o monitoramento sistemático do Banco dos Cajuais desde 2015, por meio do Projeto Aves Migratórias. No entanto, os estudos sobre a área tiveram início ainda antes, por volta de 2007, com pesquisadores da instituição, o que proporcionou um amplo conhecimento sobre sua biodiversidade e importância ecológica. O Banco dos Cajuais é um dos principais sítios de alimentação e descanso para aves limícolas migratórias no litoral do semiárido brasileiro, desempenhando um papel fundamental na sobrevivência de espécies que percorrem milhares de quilômetros entre as Américas. Esse histórico de monitoramento da área foi essencial para a escolha do local como sede do observatório.

Projeto Aves Migratórias

O Projeto Aves Migratórias é uma iniciativa que atua na conservação das aves migratórias e de seus habitats ao longo da costa brasileira. O projeto desenvolve ações de pesquisa científica, monitoramento, educação socioambiental, fortalecimento comunitário e apoio a políticas públicas que promovem a proteção da biodiversidade e o uso sustentável dos ecossistemas costeiros.

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“O Observatório de Aves é uma importante ferramenta de educação socioambiental, pois aproxima a comunidade e os visitantes da biodiversidade local. Além de incentivar a observação das aves em seu habitat natural, o espaço desperta a conscientização sobre a importância da conservação das aves migratórias e dos ecossistemas costeiros. Para o Projeto Aves Migratórias, o observatório fortalece as ações de sensibilização, pesquisa e valorização do patrimônio natural da região”, contextualiza Elismar Santos, técnico de Educação Socioambiental do PAM.

Serviço

Local: Salina Nazaré (Antigo Pilão) – Requenguela – Icapuí – CE
Localização: https://maps.app.goo.gl/ycMWnQ2yt78FMDuSA

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