Pulmão do Planeta e menos conhecido que Marte, o Oceano gera metade do nosso oxigênio e ganha ações para revelar seus mistérios

O Oceano é o verdadeiro pulmão do Planeta. Metade de todas as nossas respirações vêm do oxigênio provido por esse bioma, que age como um “sistema de suporte à vida” da Terra, como bem descrito por Kristen Kusek, diretora de comunicação do Schmidt Ocean Institute. “O Oceano é a nossa maior fronteira inexplorada. Desde as fossas mais profundas até as costas mais vulneráveis, muito dele permanece desconhecido, particularmente ao largo da costa do Brasil”, comenta.
Com nove mil quilômetros de zona costeira e 5,7 milhões de quilômetros quadrados (km²) de território marinho, o Brasil vive a dualidade do interesse na exploração comercial marítima, principalmente com o avanço de eólicas offshore, e do desconhecimento sobre a própria biodiversidade marinha.
O mesmo é verdadeiro para praticamente todos os outros países. Afinal, mesmo com o Oceano cobrindo 71% da superfície terrestre, a humanidade explorou mais a superfície de Marte, a aproximadamente 54,6 milhões de quilômetros de distância do nosso planeta azul.
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Foi para reverter esse cenário que a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, em 2021, a Década do Oceano. Ela segue até 2030 e objetiva “estimular a ciência oceânica e a geração de conhecimento para reverter o declínio do estado do sistema oceânico e catalisar novas oportunidades para o desenvolvimento sustentável desse vasto ecossistema marinho”.
Desde o lançamento da Década, diversos eventos e ações têm sido promovidos para mobilizar a sociedade civil e acadêmica. Nesse contexto, o Brasil está produzindo o Planejamento Espacial Marinho (PEM), o instrumento legal responsável por organizar todo o território nacional marinho a partir do mapeamento de pontos de interesse econômico, social e ambiental.
O prazo de entrega é justamente em 2030, ano final da Década do Oceano, como foi prometido em 2017 durante a Conferência das Nações Unidas para os Oceanos (UNOC). Em 2027, será a vez de o Rio de Janeiro receber a próxima edição do mesmo evento, entre os dias 7 e 9 de abril, para “acelerar ações oceânicas baseadas na ciência e moldar o legado da Década do Oceano”.
ENJ promove workshop de
Ciência Oceânica para jornalistas
O engajamento de profissionais da Comunicação é essencial para alcançar a meta da ONU. Pensando nisso, a Rede de Jornalismo Ambiental (EJN) da Internews lançou um workshop presencial sobre a importância da ciência, da exploração do fundo do mar e da biodiversidade marinha. O workshop é destinado a jornalistas brasileiros e permite inscrições até dia 18 de junho de 2026.
“Ao trabalhar com jornalistas, podemos aproveitar o poder da narrativa para reduzir a distância entre a Ciência Oceânica e as comunidades mais ligadas ao seu futuro”, afirma Kristen Kusek.
O workshop ocorrerá em Fortaleza (CE) entre os dias 15 e 17 de setembro de 2026. A capital cearense foi escolhida para o evento em razão de uma visita de campo ao navio de pesquisa do Schmidt Ocean Institute, localizado no mar cearense.

A escolha do Nordeste também se dá por uma lógica de inclusão, como explica James Fahn, diretor executivo da EJN: “nós sentimos que os jornalistas do Nordeste do Brasil nem sempre têm as mesmas oportunidades de formação e apoio que os das grandes cidades do Sul e, claro, o Nordeste é fundamental para os planos de gestão marinha do País”.
“Em primeiro lugar, esperamos que os jornalistas saiam do workshop com muito mais conhecimento sobre a Ciência Oceânica, como ela afeta a vida dos brasileiros e com a capacidade de produzir mais – e melhores – reportagens sobre temas oceânicos”, continua o diretor. “Claro, também seria ótimo se o treinamento incentivasse os jornalistas a produzirem matérias relacionadas ao que aprenderam durante o workshop”, acrescenta.
Ainda que a programação final esteja prevista para agosto de 2026, a EJN informa que as sessões incluirão discussões sobre:
- Áreas marinhas protegidas (AMPs)
- Tratado do Alto Mar (Acordo BBNJ)
- Seabed 2030 e mapeamento do fundo do mar
- Ecossistemas Marinhos Vulneráveis (EMVs)
- A iniciativa Challenger 150
- Pontos críticos de biodiversidade marinha
- Armazenamento de carbono
Serviço
Workshop sobre Ciência Oceânica para jornalistas brasileiros
Quando: de 15 a 17 de setembro de 2026 (com chegada no dia 14 e partida no dia 18 do mesmo mês)
Inscrições: até 18 de junho, pelo site da EJN
Divulgação dos selecionados: fim de junho a início de julho


