
Em 2007, a Universidade Federal do Semiárido (Ufersa), sediada em Mossoró, Rio Grande do Norte, fez a seguinte pergunta a um grupo 18 personalidades nordestinas: que ações devem ser implementadas pelos governos, setor privado e entidades sociais para desenvolver o Semiárido? As “personalidades” foram as seguintes: Airson Bezerra Lócio (CE), Alberto Tavares Silva (PI), Antonio Rocha Magalhães (CE), Caio Lóssio Botelho (CE), Clóvis de Vasconcelos Cavalcanti (PE), Expedito José de Sá Parente (CE), Fernando Cardoso Pedrão (BA), Fernando Chaves Lins (PE), Francisco Ariosto Holanda (CE), Hypérides Pereira de Macedo (CE), Joaquim Osterne Carneiro ( PB), Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque (PB), Manuel Dantas Vilar Filho (PB), Mário de Andrade Lira (PE), Melquíades Pinto Paiva (CE), Niéde Guidon (SP-PI), Pedro Sisnando Leite (CE) e Renato Santos Duarte (PE).
Além desses, o trabalho anexou os artigos dos professores Manuel Correia de Andrade (PE) e Teresinha de Maria Bezerra Sampaio Xavier (CE). O trabalho contou ainda com a participação do professor Benedito Vasconcelos Mendes (RN) e de Lúcio Alcântara (CE). O resultado foi publicado por Benedito Vasconcelos Mendes (organizador), sob o título “Grandes Ideias para o Desenvolvimento do Semiárido”, pelas Edições Livro Técnico, em 2007.
Uma leitura cuidadosa deste livro, que é muito bom, mostra que, em geral, o Nordeste Semiárido é pensado em pedaços: alguns pensadores pensam que o problema é de educação, então sugerem que se dê atenção ao problema educacional; outros pensam que o problema é a falta de água, então sugerem que a solução deve ser o cuidadoso suprimento dos recursos hídricos. Poucos pensam o Nordeste como um todo. É claro que o problema da educação e dos recursos hídricos é muito importante e deve ser contido em qualquer estratégia para o desenvolvimento do Semiárido.
Em geral, também, tomou-se o desenvolvimento como sendo o da agricultura de pequeno porte, realizada pelos pequenos proprietários familiares. De novo, essa é uma questão importante, mas não é a única.
Eu poderia escrever este artigo resumindo o que pensam as pessoas. Mas vou dizer que desenvolver o Semiárido é uma coisa muito difícil. Claro que se pode começar por uma coisa que seja importante, mas o melhor é atacar os problemas principais.
E quais são os principais problemas? Cada um fará a sua lista, mas não faltará educação (onde muito já foi feito), saúde, recursos hídricos, saneamento básico, ciência e tecnologia, infraestrutura, turismo, meio ambiente…
Vamos sugerir aqui uma alternativa para o desenvolvimento do Semiárido e do Nordeste. O objetivo geral seria reduzir ou eliminar a pobreza crônica, de forma sustentável (coisas tipo Bolsa Família não são sustentáveis, porque sempre se requererá um programa Bolsa Família para alimentar a solução. E ele tem limitações).
Propomos uma estratégia que se centre na política ambiental, aparelhada para sua implementação
Em primeiro lugar, não vale tomar como comparações outras regiões do Brasil, onde é possível uma agricultura moderna. A pessoa pobre do Nordeste não almeja ter uma renda per capita igual à do seu colega do Sudeste. A agricultura do Nordeste não será tão rentável quanto a do Centro Oeste, que permite o uso de máquinas modernas. É preciso levar em conta o meio.
Propomos uma estratégia que se centre na política ambiental, aparelhada para sua implementação.
Uma dimensão, a questão do licenciamento. Em vez de facilitá-lo e enfraquecê-lo, como foi feito recentemente pelo Congresso Brasileiro, deveria ser fortalecido.
A política ambiental, portanto, está no centro de tudo. Ou seja, todas as atividades que usam recursos naturais deveriam mencionar e descrever os seus impactos (sobre os recursos naturais) e propor medidas para evitar ou compensar. Nesse sentido, a política agrícola deveria ser importante, assim como a política de águas.
Depois, viriam as outras coisas importantes: educação, água, saúde, saneamento básico, turismo sustentável, irrigação (polos e ilhas de alta produtividade), comércio e indústria (dizia Rômulo de Almeida que o Nordeste não tem vocação para a agricultura e que a solução seria a indústria e os serviços), agricultura, serviços…
Os programas, isto é, as ações específicas, dependerão das prioridades de cada época e dos recursos disponíveis. Mas um programa deveria envolver os municípios, compreendendo a parceria nas políticas públicas, a participação do governador e dos principais agentes de desenvolvimento em cada região do Estado (o governo estadual funcionar temporariamente em uma determinada região).
Uma possibilidade seria a de instalação, em cada município, de uma ou mais orquestras sinfônicas, que deveriam ser animadas com competições por um ou mais órgãos centralizados, envolvendo os jovens e meninos e meninas de cada município. Da mesma forma esportes, educação…
Uma estratégia de desenvolvimento do Semiárido deveria ser, portanto, de longo prazo (tudo não pode ser realizado a curto prazo) e deveria atender os princípios da Sustentabilidade, nas linhas do Projeto Áridas.


