Entenda o que são os recifes de coral e sua função

Os recifes de coral são ecossistemas cruciais para a biodiversidade marinha, além de fornecerem serviços e produtos à sociedade

Capa ilustrativa com a frase "O que são os Recifes de Coral" sobreposta a foto de coral-cérebro e cardume de peixes.
No Brasil, os recifes de corais se estendem por mais de 3 mil quilômetros entre a costa do Amapá e o Sul da Bahia | Foto: Projeto Coral Vivo

Do ponto de vista estrutural, os recifes de coral são formações rochosas, rígidas, resistentes à ação das ondas do mar e construídas a partir dos esqueletos de cálcio (calcários) rígidos produzidos por animais e vegetais marinhos. Entre eles estão os corais, que podem até parecer plantas, mas são animais do filo Cnidaria, parentes das águas-vivas.

Ou seja, recifes são as formações rochosas que surgem a partir de esqueletos calcários de vários seres vivos, dos quais os mais importantes são os corais. Um é a estrutura, o outro é o animal. Não à toa, existem outros tipos de recifes, como os recifes de algas e os recifes areníticos.

O acúmulo desses esqueletos forma um organismo novo e complexo, que atua como um criadouro natural de peixes. Os corais produzem uma teia alimentar intrincada, equilibrando o estoque de peixes tanto utilizados para a alimentação humana, quanto para a alimentação de outras espécies marinhas. Esse fluxo possibilita que as populações altamente exploradas pelos humanos estejam sempre repostas.

Veja as principais espécies de corais que mais ocorrem no litoral brasileiro

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Dois fatores cruciais para a formação dos recifes são: a troca de gás carbônico com algas (benéfico para a vida dos dois organismos) e as correntes de águas quentes das áreas tropicais, como a costa brasileira. No Brasil, os recifes de corais se estendem por mais de 3 mil quilômetros entre a costa do Amapá e o Sul da Bahia.

No mundo, cerca de 30% das regiões costeiras tropicais são formadas por recifes de coral, cobrindo em média 600 mil quilômetros quadrados. Os recifes podem alcançar 2 mil quilômetros de extensão, como na Grande Barreira de Corais da Austrália, e até 1.300 metros de profundidade, como no Atol Enewetak, no Oceano Pacífico.


A importância ecológica
e socioeconômica dos corais

Os corais concentram a maior biodiversidade do Oceano, fornecendo inúmeros serviços ambientais e humanos, como:

  • proteção do litoral contra a ação de ondas;
  • potencialidade para a descoberta de compostos medicinais;
  • abrigo para espécies marinhas diversas;
  • desenvolvimento de renda com o turismo;
  • renovação de estoques pesqueiros; 
  • captura de carbono; e 
  • manutenção da biodiversidade marinha.

Como os recifes de coral garantem complexas cadeias alimentares e competição por espaço entre os organismos que dependem desse ecossistema, muitas espécies produzem substâncias químicas utilizadas para a proteção contra predadores e bloqueio da ocupação do espaço por competidores. Como as esponjas-marinhas, bactérias que vivem em invertebrados marinhos, os caramujos-cone e até os próprios corais.

Essas substâncias são extraídas e testadas no tratamento de doenças humanas. Um dos remédios para tratar a leucemia (a Citarabina Ara-C), por exemplo, derivou das substâncias de esponjas de recifes do Caribe.

No litoral brasileiro, por exemplo, o coral-sol é uma espécie não-nativa que produz toxinas para se proteger de invasores. Essas substâncias possuem compostos que atuam contra o parasita da doença de Chagas. 


Causas e consequências
da degradação dos corais

Os corais são sistemas altamente especializados e, ao mesmo tempo, extremamente sensíveis a distúrbios ambientais. Estima-se que 19% dos recifes ao redor do mundo já tenham sido efetivamente perdidos e que 35% estarão em situação crítica de declínio nos próximos 10 a 40 anos.

Em escala local, a degradação dos corais está associada ao despejo excessivo de matéria orgânica — esgotos humanos não tratados e transporte de fertilizantes —, à contaminação das águas e à pesca em quantidade maior que a capacidade reprodutiva dos animais. 

Fotografia subaquática em close de um coral-de-fogo (Millepora alcicornis) em seu habitat natural. A estrutura ramificada de cor amarelada e marrom destaca-se contra o fundo azul profundo do oceano.
Hidrocoral-de-fogo em Chapeirão Faca-cega, na Bahia | Foto: Marcelo Visentini Kitahara. Hidrocoral-de-fogo (imagem). Banco de imagens Cifonauta. Disponível em: https://cifonauta.cebimar.usp.br/media/13153/ Acessado em: 2026-05-03.

Na atividade do turismo, os corais são os organismos mais afetados por serem facilmente quebrados pela ação humana, seja com pisoteios, seja com outros meios de transporte. Após a quebra e morte dos corais, surgem impactos ambientais na região, como alterações na abundância, diversidade e tamanho de espécies de peixes e também a diminuição da biomassa das algas (a matéria orgânica rica em energia produzida por elas após a fotossíntese, ou seja, carboidratos, proteínas e gorduras).

Já em escala global, a queima excessiva de combustíveis fósseis e o desmatamento vêm aumentando os gases do efeito estufa, como o carbono e o metano, o que leva ao aquecimento global e à acidificação dos oceanos (aumento da acidez da água).

As ondas de calor marinho e as mudanças na qualidade da água são as principais causas do branqueamento dos corais. O branqueamento ocorre quando, pelo calor, as zooxantelas, microalgas que vivem nos corais, são expulsas pelos organismos na tentativa do coral sobreviver. São essas microalgas que dão cor aos corais; por isso, o fenômeno resulta na perda de coloração e de uma importante fonte alimentar para os animais coralíneos.

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Recifes de coral não impactados localmente possuem uma melhor capacidade de lidar com as mudanças climáticas globais. Ou seja, além da atuação para minimizar os impactos globais, existe a necessidade de controlar os impactos locais.

Após este estresse ambiental, alguns recifes conseguem recuperar a coloração, mas há altas taxas de mortalidade de corais menos resilientes, que podem não ter tido tempo de se recuperar entre um evento e outro. Com isso, acontecem perdas futuras na reprodução e na diversidade de espécies.

No Brasil, já foi demonstrado que os recifes localizados a menos de cinco quilômetros da costa estão em piores condições que aqueles longe dela. Essa deterioração está relacionada à maior taxa de sedimentação (quando partículas sólidas se fixam no fundo, não boiam), ao despejo de esgoto doméstico, ao aumento da erosão costeira, ao turismo e à sobrepesca.

*Redigido por Gabriele Soares, estagiária de Jornalismo da Agência Eco Nordeste, sob supervisão da editora-chefe Catalina Leite.


Referências
bibliográficas

BRUCKNER, A. W. Life-saving products from coral reefs. Issues in Science and Technology, v. 18, n. 3, 2002. Disponível em: https://issues.org/p_bruckner-coral-reefs-importance

CALADO, J. F.; MOREIRA, A. L. P.; MENDES, L. F. O que sabemos sobre os impactos ambientais do turismo nos recifes tropicais do Brasil? Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, [S. l.], v. 18, 2024.

LIMA, I. C. C. S. Branqueamento de corais e mudanças ambientais: estudo de caso de 3 anos no Atlântico Equatorial. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Oceanografia) – Instituto de Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2015.

NASCIMENTO, W. F. Branqueamento massivo de corais causado pela onda de calor de 2020 no nordeste brasileiro. 2023. Dissertação (Mestrado em Ecologia) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2023.

ZILBERBERG, C. et al. (org.). Conhecendo os Recifes Brasileiros: Rede de Pesquisas Coral Vivo. Rio de Janeiro: Museu Nacional, UFRJ, 2016.


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