Fórum internacional debate Economia Circular no CE

Fortaleza recebe, entre os dias 25 e 27 de março, o III Fórum Nordeste de Economia Circular, com cerca de 200 autoridades nacionais e internacionais focadas em discutir práticas sustentáveis

Uma fotografia colorida, capturada de um ângulo levemente elevado de trás da plateia, mostra uma palestra ou painel de discussão acontecendo em um salão vibrante e culturalmente rico, provavelmente no Paço do Frevo, em Recife. Cerca de quarenta pessoas estão sentadas em cadeiras de madeira voltadas para um palco baixo e curvo, onde seis palestrantes estão acomodados em poltronas brancas à frente de um telão que exibe uma pessoa em videoconferência. O ambiente possui um teto alto com vigas metálicas vermelhas, de onde pendem grandes e luxuosos estandartes de agremiações carnavalescas, ricamente bordados em tons de dourado, vermelho e azul. Ao fundo, grandes janelas em arco iluminam o espaço, ladeadas por bonecos gigantes de Olinda e exposições coloridas nas paredes. O chão é azul brilhante com inscrições em letras grandes e coloridas, completando a atmosfera festiva e institucional do evento.
Terceira edição do FNEC será realizada em Fortaleza (CE) entre os dias 25 e 27 de março | Foto: Heudes Regis

O Nordeste volta ao centro das discussões sobre economia circular mundiais com o III Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC), que ocorrerá entre os dias 25 e 27 de março em Fortaleza, capital do Ceará. O evento é considerado a maior plataforma de articulação territorial voltada à Economia circular do Brasil, e nesta edição deve receber cerca de 200 autoridades nacionais e internacionais. 

Entre elas, o diretor do Ministério do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica, Carlos Vega. A Costa Rica é uma importante liderança ambiental, laureada com o prêmio Campeões da Terra de 2019 pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A premiação veio justamente da capacidade do país latinoamericano em implementar ações da Agenda 2030: mais de de 98% da energia da Costa Rica é renovável, com objetivo de alcançar os 100% até 2030, e a cobertura florestal está em mais de 53%. Para a ONU, “o sucesso da Costa Rica é a prova de que a sustentabilidade é economicamente viável”. 

A economia circular é um modelo de produção e de consumo focada na redução do desperdício ou dos resíduos e na expansão do tempo de vida dos produtos. Isso contrasta com a economia linear, na qual os produtos têm obsolescência programada e são invariavelmente destinados ao lixo. Na economia circular, prevalece a lógica da partilha, do aluguel, da reutilização, da reparação, da renovação e da reciclagem.

Além da Costa Rica, o evento contará com interação híbrida entre autoridades e convidados como o Dr. Samuel Ramsey, da Ramsey Research Foundation, focada na conservação e preservação de abelhas; Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas – Moedas Sociais e Bancos Comunitários; Daniel Munduruku, escritor, educador e ativista indígena; e Natália Tatanka, conselheira da Coalizão pelo Impacto e uma das 30 lideranças do Columbia Women’s Leadership Network 2025.

“O Fórum Nordeste de Economia Circular (2026) destaca o papel estratégico da região na consolidação da economia de baixo carbono e circular no Brasil, ao articular inovação, cadeias produtivas e instrumentos financeiros”, destaca a subsecretária de Transformação Ecológica da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda, Carolina Groterra.

Diversidade e inclusão
impulsionam a economia circular

O relatório “Emprego na Economia Circular”, produzido em conjunto pela Circle Economy, pelo Grupo Banco Mundial, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e e em parceria com as Nações Unidas para Ação em Economia Verde (UN-PAGE), aponta oportunidades para a geração de empregos em patamar mundial.

No estudo, o Brasil é apresentado como alguns dos países pioneiros nas iniciativas voltadas à economia circular, especialmente após a publicação do Plano Nacional de Economia Circular (2025–2034) e do Plano de Transformação Ecológica ‘Novo Brasil’, do Ministério da Fazenda.

O contexto nordestino também abre espaço para uma discussão essencial quando o assunto é economia circular e verde: a diversidade e inclusão (D&I).

Esta fotografia colorida oferece uma perspectiva lateral e próxima do palco de um painel de discussão, capturando o evento sob o ponto de vista dos palestrantes. Em primeiro plano, três pessoas estão sentadas: à esquerda, um homem de terno escuro; ao centro, uma mulher de cabelos cacheados segura um microfone e fala para a plateia; à direita, vemos as costas de uma mulher vestindo uma blusa colorida em tons de verde, laranja e amarelo. Eles estão acomodados em poltronas brancas modernas sobre um piso azul brilhante, decorado com grandes frases em letras coloridas. No lado esquerdo, um grande telão exibe o rosto de uma participante que acompanha o evento remotamente. À direita, a plateia sentada em cadeiras de madeira preenche o salão, atenta à conversa. O teto alto é adornado com vigas vermelhas e inúmeros estandartes coloridos suspensos, incluindo peças em azul, amarelo e vermelho com franjas, que reforçam a identidade cultural e festiva do espaço.
Evento terá painéis, palestras, mentorias e oficinas com autoridades nacionais e internacionais, empresários, ativistas e sociedade civil | Foto: Heudes Regis

“A consolidação da economia circular como vetor de emprego exige enfrentar a informalidade e ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados”, defende o FNEC, em nota. “Pessoas negras, LGBTQIAPN+, mulheres, PCDs, lideranças indígenas, jovens, catadores e outras comunidades estão na vanguarda das articulações do FNEC e no impacto acerca dos nove estados no Brasil”.

Priscilla Arantes, coordenadora do GT de Diversidade e Inclusão do FNEC e diretora de Projetos do Instituto Reinventando Futuros, reforça que a consolidação da economia circular como força global de geração de emprego dependerá não apenas de metas ambientais e crescimento de mercado, mas da capacidade de transformar a diversidade e inclusão em estratégias estruturantes.

“O legado que já atravessa 142 milhões de pessoas só tende a crescer, e queremos posicionar o Brasil e o Nordeste no centro dessas negociações”, conclui.

Programação e participação
da Eco Nordeste

Ao todo, serão 74h de programação da III FNEC aberta ao público, focada em repensar o modelo atual de produção, consumo e descarte. A programação será dividida em painéis, plenárias, oficinas, mentorias e intervenções artísticas. 

Entre as atividades que conectam governantes, empreendedores e sociedade civil, está a Eco Nordeste. A diretora executiva do Instituto Eco Nordeste, Maristela Crispim, participará do painel “Caatinga Viva: Geodados, Território e Resiliência Climática”, às 14h do dia 26 de março

O painel debaterá o uso de geodados, monitoramento territorial e ciência para fortalecer a resiliência climática da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro e sistematicamente invisibilizado nas grandes narrativas ambientais do País. 

Uma mulher sorridente com óculos e colete bege olha para a câmera enquanto está em uma ponte suspensa de madeira em uma área verde exuberante. Outra pessoa pode ser vista subindo a ponte ao fundo
Maristela Crispim é fundadora e editora-chefe da Eco Nordeste e diretora executiva do Instituto Eco Nordeste | Foto: Adriana Pimentel

Outros órgãos e instituições que participarão do III FNEC: Ministério da Fazenda, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Fundação Ellen MacArthur, Governo do Ceará, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Universidade de Lisboa (ULisboa), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Clima e Sociedade (iCS), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Banco Palmas, Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Waste Data, Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentável (Remes), Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Cooperativa de Trabalho em Economia Solidária dos Catadores de Materiais Recicláveis do Território Norte (Coopcata 3Rs), Universidade de Fortaleza (Unifor), Pacto Global da ONU e Kite For The Ocean e outras. 

A programação completa será divulgada em breve no site do evento.

Serviço

III Fórum Nordeste de Economia Circular

Quando: de 25 a 27 de março (atividades do dia 26 de março, pela manhã, são reservadas a convidados)

Onde

Hub Cultural Porto Dragão: Rua Boris, 90 C – Centro
KUYA — Centro de Design do Ceará: Rua Sen. Jaguaribe, 323 – Moura Brasil
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura: Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema

Credenciamento: a partir das 8h30

Programação: das 9h às 18h

Evento gratuito mediante inscrição prévia

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