‘Minha palavra final é um alerta: a adaptação tem limites’

Alexandre Araújo Costa, membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, fala sobre os riscos do El Niño, mitigação e adaptação

Mapa térmico de satélite mostrando as Américas e o Oceano Pacífico. O continente americano está delineado em preto. No Pacífico Equatorial, uma extensa faixa horizontal de cor vermelho-escura indica anomalias térmicas elevadas. O restante do oceano exibe tons amarelos e alaranjados dispersos.
Imagem de satélite mostra a extensa faixa de águas acima da temperatura normal no Oceano Pacífico Equatorial | Foto: NOAA

Temos prognósticos de agências meteorológicas apontando para um El Niño – o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico – de intensidade forte ou muito forte do segundo semestre deste ano até o início de 2027. 

Popularmente conhecido como “super El Niño”, esse extremo climático pode impactar diversos setores da sociedade e da economia, “afetando o abastecimento de água, a segurança alimentar, a geração de energia, a mobilidade, a saúde pública e as atividades produtivas em diferentes regiões do País”, segundo nota técnica do governo federal.

Em entrevista à Eco Nordeste, Alexandre Araújo Costa, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), graduado e mestre em Física pela Universidade Federal do Ceará (UFC), doutor em Ciências Atmosféricas pela Universidade do Estado do Colorado, com pós-doutorado pela Universidade Yale e membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, fala sobre as mudanças no padrão do El Niño, seus riscos, mitigação e adaptação. Confira:

Esta é uma foto em plano médio, tirada em ambiente interno com iluminação artificial, de um homem de meia-idade, com pele clara, cabelos grisalhos e cacheados, barba curta e grisalha, e que usa óculos de armação escura. Ele está vestido de forma formal, com um paletó preto sobre uma camisa social listrada verticalmente em tons escuros, e usa um crachá de evento pendurado no pescoço. O homem está de pé, sorrindo e olhando diretamente para a câmera, com as mãos cruzadas na frente do corpo. O fundo é predominantemente uma parede lisa de cor clara ou branca, e na parte inferior da foto há um banner ou faixa decorativa com padrões gráficos em tons de verde, laranja e marrom, que incluem desenhos estilizados de engrenagens e um sol, sugerindo um tema relacionado a sustentabilidade ou agricultura
O físico, climatologista e professor da Uece Alexandre Araújo Costa detalha o que se sabe sobre o El Niño de 2026/2027 e os efeitos dele no Brasil, especialmente no Nordeste | Foto: Isabelli Fernandes

Maristela Crispim – De onde vem e qual é o prognóstico mais atualizado sobre o El Niño?

Alexandre Araújo Costa – Basicamente, existe hoje um consenso virtual entre as agências que trabalham com previsão climática sazonal de que teremos o desenvolvimento de um El Niño de intensidade significativa ao longo dos próximos meses.

O ponto principal que precisamos ponderar sobre a intensidade do fenômeno é que a temperatura de fundo (background) do Oceano já está mais elevada por conta do aquecimento global. A média térmica do Oceano Pacífico na última década não é a mesma de três a seis décadas atrás. Por isso, o ponto de referência para o cálculo das anomalias de temperatura precisa ser deslocado e corrigido, levando esse fator em consideração.

Globo terrestre focado no Oceano Pacífico e Américas, exibindo dados de temperatura da superfície marítima. Tons intensos de vermelho e laranja dominam a faixa equatorial e a costa oeste da América do Sul, indicando aquecimento acentuado. O logotipo da NOAA aparece no canto inferior esquerdo.
Imagens de satélite mostrando a diferença entre a temperatura média da superfície do mar no Equador, no Oceano Pacífico tropical (representada por vários tons de vermelho e laranja para indicar o calor), durante a primeira semana de junho de 2026, e a linha de base utilizada pelo programa Coral Reef Watch da NOAA | Foto: NOAA Satellites

Essa necessidade levou a NOAA (Agência de Administração Atmosférica e Oceânica dos EUA) a adotar dois índices distintos. O tradicional é o Oceanic Niño Index (ONI), que parte de uma referência fixa de temperatura e calcula as anomalias para a região do Niño 3.4 – uma área delimitada entre as latitudes 5º Norte e 5º Sul e as longitudes 120º Oeste e 170º Oeste. 

O problema é que, se não considerarmos o aquecimento global, parecerá que estamos em condições permanentes de El Niño, mesmo que o Pacífico Equatorial esteja com a mesma temperatura de sua vizinhança.

Para corrigir isso, a NOAA adotou um índice proposto em 2017: o Relative Oceanic Niño Index (Roni), ou Índice do El Niño Oceânico Relativo. Quando analisamos os eventos de 1982/1983 e 1997/1998, a correção aplicada pelo RONI em relação ao ONI é quase nula. 

Mapa-múndi de anomalia da temperatura da superfície do mar para outubro de 2026. Tons de laranja e vermelho escuro cobrem a maior parte dos oceanos, com destaque para uma faixa marrom intensa no Pacífico Equatorial. Áreas em azul indicam anomalias frias abaixo da linha do Equador.
Mapa do modelo climático CFSv2, da NOAA, mostra as anomalias previstas da temperatura da superfície do mar para outubro de 2026, com aquecimento intenso no Pacífico Equatorial associado ao desenvolvimento do El Niño | Foto: NOAA/CPC

Contudo, em eventos recentes, como o de 2015/2016 e, principalmente, o de 2023/2024, a diferença chega a 0,5°C ou 0,6°C. Na prática, embora o evento de 2023/2024 tenha sido classificado como um El Niño “forte” pelo ONI tradicional, sob a ótica do RONI ele seria classificado apenas como “moderado”. Compreender essa distinção metodológica é o primeiro passo.

Dito isso, as duas principais fontes e projeções sazonais que valem a pena acompanhar de perto são o programa europeu Copernicus e o conjunto de modelos analisados pelo IRI (Instituto de Pesquisa para Clima e Sociedade da Universidade de Colúmbia).

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MC – A Ciência consegue estabelecer uma relação concreta deste prognóstico com o aquecimento do Planeta?

AAC – Sim, e precisamos analisar essa relação sob dois aspectos. O primeiro deles é o pano de fundo: como todas as bacias oceânicas estão mais quentes em comparação com o período pré-industrial, há mais evaporação e maior disponibilidade de umidade na atmosfera. 

Com o ar mais aquecido, as taxas de evaporação aumentam, o que amplifica as secas; ao mesmo tempo, o maior volume de vapor d’água disponível propicia chuvas muito mais intensas. Portanto, o aquecimento global, por si só, já amplifica as consequências do El Niño.

Fotografia de uma canoa de madeira antiga e vazia, assentada sobre o leito seco e intensamente rachado de um corpo d'água. O solo ressecado apresenta profundas fendas devido à estiagem por toda a extensão, com pequenos brotos de vegetação rasteira surgindo esporadicamente.
Com o ar mais aquecido, as taxas de evaporação aumentam, o que amplifica as secas | Foto: Eduardo Queiroz

O segundo aspecto é que o próprio comportamento do El Niño é modificado pelo aquecimento global. Estudos apontam uma tendência de diminuição de eventos fracos ou moderados confinados na porção leste-central da bacia. 

Em contrapartida, há uma propensão ao surgimento de El Niños intensos que ocupam toda a extensão oceânica, ou de eventos que se formam a partir do meio da bacia, conhecidos como “El Niño Modoki” ou “El Niño do Pacífico Central”.

Por essa razão, não podemos mais avaliar o fenômeno com as ferramentas do passado. Eu descarto, por exemplo, o uso de modelos estatísticos baseados em correlações históricas, pois essas relações antigas deixaram de existir devido às mudanças climáticas. Prefiro confiar nos modelos dinâmicos.

Mapa técnico do Oceano Pacífico destacando as regiões de monitoramento do El Niño. Retângulos coloridos delimitam as áreas: "Nino 4" (azul), "Nino 3.4" (borda preta espessa englobando partes azul e vermelha), "Nino 3" (vermelho) e "Nino 1+2" (quadrado branco próximo à América do Sul).
Mapa técnico do Oceano Pacífico destacando as regiões de monitoramento do El Niño | Foto: NOAA

Atualmente, a projeção de modelos dinâmicos do IRI aponta para uma anomalia na região do Niño 3.4 que excede os 2,5°C. Mesmo descontando cerca de meio grau por conta da correção do índice relativo (Roni), o fenômeno ainda se manteria no limiar de um El Niño forte, mas não um “super El Niño” ou um evento histórico.

No entanto, uma parte menor dos modelos projeta que esse aquecimento ultrapasse os 3°C, atingindo cerca de 3,5°C. Se isso ocorrer, mesmo aplicando o índice relativo, estaríamos diante de um El Niño muito forte. Essa possibilidade real é corroborada pelo modelo do Copernicus, cujo valor central projetado para novembro é de 3°C de anomalia, podendo avançar nos meses seguintes.

Descontando o aquecimento de fundo, ainda restaria um El Niño de até 3°C, o que configura um evento de grande intensidade, comparável aos históricos de 1982/1983 e 1997/1998.


MC – Que tipo de consequência um fenômeno como este pode trazer para o Brasil? E mais especificamente para o Nordeste?

AAC – No Brasil, os efeitos do El Niño costumam provocar uma elevação generalizada de temperatura na maioria das regiões, além de causar seca na Amazônia e chuvas acima da média na região Sul, devido ao deslocamento de sistemas meteorológicos.

Na Amazônia, ocorre um movimento descendente das massas de ar (subsidência) para compensar o movimento ascendente de ar que se deslocou para o centro do Pacífico. Já no Sul, o fenômeno represa as frentes frias e posiciona a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) mais abaixo, impedindo que as chuvas avancem para latitudes mais altas e concentrando as precipitações nos estados sulistas.

Vista aérea de uma grande cidade inundada por águas barrentas de cor marrom. A enchente encobre ruas e praças, cercando edifícios e prédios altos no centro urbano. À direita, o leito de um grande rio transbordado avança sobre as estruturas portuárias e as vias públicas da cidade.
Canoas, no Rio Grande do Sul, afetada pela enchente de maio de 2024, durante fenômeno El Niño | Foto: Ricardo Stuckert / PR

Além disso, o El Niño gera “teleconexões”, influências climáticas remotas. Alterações na circulação do Pacífico impactam a circulação do Caribe e se propagam para latitudes médias. 

No caso do Nordeste, essas teleconexões costumam fortalecer a alta pressão no Atlântico Sul, empurrando a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) – que é o principal sistema produtor de chuvas da região – para uma posição mais ao norte do que sua média climatológica. Por isso, historicamente, a maioria dos eventos de El Niño moderados e fortes resultou em seca no Ceará e em estados vizinhos.

Contudo, precisamos levar em conta as lições do biênio 2023/2024. Naquela ocasião, a maior parte dos prognósticos indicava chuvas abaixo da média, mas alguns modelos dinâmicos já sinalizavam que o cenário real poderia ser diferente. 

Fotografia de uma vasta extensão de solo argiloso, seco e profundamente rachado em primeiro plano. Pequenas conchas brancas estão incrustadas nas fendas da terra ressecada. Ao fundo, vê-se a linha d'água de um reservatório azul, margens distantes e morros sob um céu claro.
Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, com nível extremamente seco em dezembro de 2015 | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Isso acontece porque a própria dinâmica das teleconexões do El Niño está mudando com o aquecimento global, exigindo que olhemos mais para o aquecimento relativo do que para o absoluto. Além disso, com a bacia do Atlântico inteiramente aquecida, há maior transporte de umidade e maior convecção, tornando a própria ZCIT mais intensa.

Portanto, embora continue válida a premissa de que El Niños fortes trazem anos mais secos para o Nordeste, cravar esse diagnóstico antes que as condições do Atlântico estejam totalmente configuradas pode ser prematuro. 

De qualquer forma, o País precisa de um plano de contingência robusto e estar devidamente preparado para mitigar impactos graves: secas severas na Amazônia e no Nordeste, e grandes enchentes no Sul.


MC – No caso específico do Nordeste, é possível estabelecer consequências de acordo com os diferentes cenários, tipo na costa, em regiões serranas e no sertão semiárido?

AAC – Como o El Niño é um fenômeno de grande escala, a tendência principal é que ele arraste praticamente todas as sub-regiões para cenários de chuva abaixo da média. Obviamente, a disparidade natural de precipitação entre o litoral, as serras e o sertão continuará existindo, mas a redução geral das chuvas trará impactos distintos para cada ecossistema.

Nas regiões serranas, menos chuva se traduz em menor aporte de água para as nascentes e restrição hídrica para os enclaves de Mata Atlântica e vegetações de zonas úmidas, o que pode acelerar a degradação de biomas que já sofrem com o desmatamento.

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Na faixa costeira, a diminuição do volume de chuva reduz a vazão dos rios e a recarga do aquífero dunar, limitando a reposição do lençol freático, o que compromete o abastecimento de comunidades litorâneas.

A preocupação central, contudo, recai sobre a Caatinga e o sertão semiárido. A combinação de temperaturas recordes com baixa precipitação – um cenário bastante factível – pode gerar perdas severas na produção agrícola (especialmente na agricultura de sequeiro) e o esvaziamento dos reservatórios.

Para enfrentar isso, a gestão de recursos hídricos precisa ser repensada. Existe uma pressão constante sobre as águas do Ceará por parte de indústrias hidrointensivas (como as instaladas no Complexo do Pecém) e do agronegócio que tenta avançar pelo Estado. As políticas públicas devem se basear no princípio da precaução para garantir que as demandas econômicas não amplifiquem os riscos de desabastecimento humano.

Paisagem de Caatinga sob céu azul limpo. Destacam-se plantas de tons marrons e amarelados em primeiro plano, arbustos secos e árvores verdes ao fundo.
“A preocupação central (dos efeitos do El Niño), contudo, recai sobre a Caatinga e o sertão semiárido”, aponta Alexandre Araújo Costa | Foto: Maristela Crispim

MC – Há tendência de esse tipo de fenômeno climático passar a se repetir com mais frequência no “novo anormal” climático?

AAC – Não há um consenso definitivo na comunidade científica, mas existem fortes evidências nas projeções climáticas – especialmente para o fim do século e em cenários de altas emissões de gases estufa – de que o sinal do tipo El Niño (El Niño-like) se tornará mais saliente, caracterizado por aquela persistente língua de água quente no Pacífico Equatorial.

Os modelos climáticos atuais ainda encontram dificuldades para simular perfeitamente a intensidade e a frequência histórica do fenômeno. Apesar dessa limitação, os dados indicam uma forte probabilidade de que passemos a enfrentar ou uma frequência maior de eventos, ou episódios significativamente mais intensos no futuro.


MC – Que caminhos podemos seguir para frear o aquecimento e melhor conviver com as mudanças que já estão entre nós?

AAC – O cenário já é alarmante pelo simples fato de que os impactos tradicionais do El Niño são severamente amplificados pelo aquecimento global. Portanto, é urgente sairmos da rota dos piores cenários. 

Precisamos cortar drasticamente as emissões globais de gases de efeito estufa nos próximos anos para zerá-las até meados do século XXI. Para alcançar essa meta, precisamos transformar profundamente dois pilares da nossa sociedade: o sistema energético e o sistema alimentar.

Foto de um cenário de geração de energia renovável em uma paisagem semiárida. No primeiro plano, aparecem fileiras de painéis solares inclinados, ocupando grande parte da base da foto. Ao fundo, sobre uma colina de vegetação seca, cinco aerogeradores eólicos com pás brancas se destacam contra o céu azul.
Usina híbrida (eólica e solar) na Bahia | Foto: Ulgo Oliveira

No sistema energético, a marcha deve ser acelerada em direção ao fim do uso de combustíveis fósseis, banindo o carvão, o petróleo e o gás da nossa matriz. No entanto, não basta apenas instalar usinas de energia renovável de forma desordenada. 

Geração solar e eólica também geram impactos significativos, que vão desde a mineração de matérias-primas e geração de resíduos até a ocupação de grandes extensões de terra, competindo com atividades vitais como a agricultura e a pesca. 

Como vivemos em um planeta finito, precisamos aumentar a eficiência, racionalizar o consumo e reduzir a demanda energética global para garantir uma transição rápida, justa e de baixo impacto.

A imagem mostra diversos aerogeradores (turbinas eólicas) espalhados por uma paisagem de vegetação seca, sob um céu azul com nuvens brancas
“Geração solar e eólica também geram impactos significativos, que vão desde a mineração de matérias-primas e geração de resíduos até a ocupação de grandes extensões de terra”, reforça Alexandre Araújo Costa | Foto: Maristela Crispim

O segundo pilar é o sistema alimentar. Embora na pauta climática ele atue como um coadjuvante em relação à energia – ele não é o Batman, é o Robin -, o modelo atual de produção de alimentos é o principal fator de degradação da biosfera. 

Ele acelera a perda de biodiversidade e a extinção de espécies devido ao avanço da fronteira agropecuária; esgota recursos hídricos via irrigação e introduz novas entidades poluentes na natureza, como agrotóxicos, hormônios e antibióticos. Além disso, os fertilizantes rompem os ciclos biogeoquímicos do nitrogênio e do fósforo.

Toda essa estrutura precisa de uma revolução. O modelo atual baseia-se em monoculturas voltadas para a fabricação de ultraprocessados e produção de ração animal para abastecer a bilionária indústria da carne. 

Foto colorida de avião amarelo sobrevoando uma grande área de plantação de soja que forma um campo verde. O avião deixa um rastro de agrotóxico em forma de vapor, sob um céu nublado
Mais de 60% dos agrotóxicos utilizados em território nacional se destinam ao plantio de soja, segundo estudo | Foto: Thomas Bauer

Precisamos reduzir urgentemente o consumo de proteína animal, especialmente de carne de ruminantes, para cortar as emissões de metano. Alimentos de origem animal demandam muito mais água e terra por quilograma ou caloria do que os de origem vegetal. Reduzindo essa demanda, conseguiríamos liberar vastas áreas de terra para a regeneração florestal, recomposição de ecossistemas e resgate da biodiversidade.

Por fim, paralelamente à mitigação, precisamos falar seriamente sobre adaptação, pois várias mudanças climáticas já foram “contratadas” e são inevitáveis. 

Devemos reduzir a vulnerabilidade da sociedade nas esferas de produção de alimentos, segurança hídrica, defesa civil contra eventos extremos e saúde pública (visto que as mudanças climáticas impulsionam ondas de calor mortais e a proliferação de doenças associadas a enchentes).

Fotografia de um rebanho de gado Nelore, de pelagem branca, espalhado por um pasto verde sob a luz do dia. Alguns bois olham em direção à câmera no centro da imagem. Ao fundo, há uma linha de árvores baixas e um céu azul parcialmente coberto por nuvens brancas e densas.
“Precisamos reduzir urgentemente o consumo de proteína animal, especialmente de carne de ruminantes, para cortar as emissões de metano”, alerta o professor | Foto: Adriana Pimentel

Minha palavra final é um alerta: a adaptação tem limites. Em um cenário de emissões baixas a moderadas, ainda há chances de nos adaptarmos e evitarmos as piores consequências. 

No entanto, é impossível se adaptar a um mundo cuja temperatura média esteja 3°C ou 4°C acima do período pré-industrial. Isso representaria a ruptura das condições fundamentais que sustentam a vida e a sociedade organizada como a conhecemos. 

Precisamos trabalhar obstinadamente nesse binômio: adaptar-se para minimizar os danos dos problemas atuais e mitigar para impedir que o Planeta se torne completamente inabitável.

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